Get Adobe Flash player
Home História A Primeira Escola de Fazendas de Almeirim

A Primeira Escola de Fazendas de Almeirim

escola barroes"Com a inauguração desta escola foi possível resolver o problema de quase 300 crianças que em idade escolar viviam abandonadas e que de hoje ao futuro receberão naquela casa, a instrução que lhes era devida..."

Vamos falar da primeira escola primária construída em Fazendas de Almeirim.
Segundo as informações que “O Vale do Tejo” ia dando aos seus leitores, em 12 de Outubro de 1930, já noticiava a construção da desejada escola para breve.


Escolhido o local pela Junta de Freguesia de Almeirim e entidades ligadas ao ensino, dentro de pouco tempo as obras foram iniciadas, verificando-se, desde logo, uma grande actividade na sua construção no sentido da sua inauguração ser feita nos finais do ano de 1931.


Em 21 de Junho foi anunciada a 2ª fase, informando “O Vale do Tejo” em, 20 de Dezembro “que se está a concluir a edificação da Casa Escolar da Charneca de Almeirim, para ambos os sexos, devendo a sua inauguração ser feita no Natal”.

 
Não o sendo nesta data, o grande dia chegou finalmente: 14 de Fevereiro de 1932.
O lugar esteve em festa, justificando-se a sua satisfação com tão almejado melhoramento, deslocando-se até lá, diversas entidades do concelho e promotoras do acontecimento.


Estiveram presentes, além do Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Manuel José Andrade que saudou os convidados, Sr. Tenente António Manuel Baptista, Sr. Joaquim Tomaz, Inspector Chefe da Região Escolar de Santarém, Tenente Maximino Neves, Administrador do Concelho e o Sr. José Júlio Andrade, Presidente da Comissão Administrativa.


No uso da palavra o Presidente da Junta fez referência a todos aqueles que tinham tornado possível este melhoramento, afirmando: “assim, este laborioso povo, privado de uma das maiores riquezas, se não a maior de todas as épocas – a instrução e educação dos seus filhos, deve, neste dia memorável, encher-se da maior satisfação por ver realizadas as aspirações porque ansiava.


Nas palavras que dirigiu a todos os presentes, o Tenente Maximino Neves, disse “que se orgulhava de ver o seu concelho em denodado combate com o verdadeiro cancro nacional que é o analfabetismo”.
Fez uma alusão, também, ao Sr. José Simões Apolinário pelos serviços e auxílios prestados a esta grandiosa obra, tornando-se útil à sua terra e à sua Pátria pela cedência do terreno.


Os diversos oradores que intervieram neste acto solene, puseram sempre em destaque, pelo que as obras como a que acabava de ser inaugurada, representavam para o desenvolvimento do país.


No “Porto de Honra” servido às entidades presentes, o Tenente Maximino Neves destacou-se nas suas palavras agradecendo à Junta de Freguesia de Almeirim, composta pelos Senhores Manuel José Andrade, João Marçal, António Leonor Frazão e Virgílio Godinho Pereira, pela acção desenvolvida, afirmando: “...e já agora, não queremos deixar de associar-nos à satisfação que reina presentemente neste bom povo, e, visto que os nossos ideais permutam com o Progresso e que sem instrução não o haverá – pois é a sua fonte de riqueza – estendemos as nossas mãos a todos que amanhã irão sentir no lar um bem-estar ideal, um novo prazer, uma luz que lhe iluminará a Vida na Felicidade: a Luz da Instrução.

 
Só assim Portugal, este país onde o analfabetismo impera oitenta por cento, quase África, poderá ser muito em breve “O Portugal Maior”. As Pátrias são grandes pelo valor dos seus homens e não é pela ignorância que elas prosperam e frutificam. Formar primeiro o ambiente de civilização, instruir o povo, dar-lhe conhecimento de que tanto necessita e caminhar então.


Bem hajam pois aqueles que espalham e difundem, por qualquer forma, o bálsamo benéfico da instrução.
Bem hajam aqueles, que não esquecem nunca que foi com as nossas letras que Camões compôs essa epopeia sublime dos Lusíadas.


Bem hajam ainda aqueles, que no grande desejo de aprender se não poupam a trabalhos, a esforços e canseiras.


Com a inauguração desta escola foi possível resolver o problema de quase 300 crianças que em idade escolar viviam abandonadas e que de hoje ao futuro receberão naquela casa, a instrução que lhes era devida...”.


Foram as palavras do Inspector Chefe da Região Escolar Sr. Joaquim Tomaz que no discurso que proferiu, não só envolveu o seu reconhecimento à Junta de Freguesia como ao seu antigo professor Sr. José Maria Gomes que, a seu lado, esteve sempre dedicando o maior carinho para o bom êxito desta obra.


Entretanto o tempo avança e a necessidade de mais escolas é evidente, com o aumento demográfico que se verifica.


Fazendas de Almeirim cresce, sendo elevada a freguesia em 1956.


São construídas mais escolas. Surge a de S. José e a da Serra e, noutros lugares da freguesia, Paço dos Negros e Marianos.


Já em 2000, no sentido de desenvolver o ensino foi posto em funcionamento a Escola EB 2º e 3º ciclos, cujos alunos, do mesmo grau de ensino, frequentavam as instalações em Almeirim.


A velha escola “dos Barrões” como é conhecida, continua na sua acção pedagógica de preparar as futuras gerações.

FONTE: Drº António Cláudio

Share
Facebook Youtube Vimeo