Get Adobe Flash player
Home História

Sinopse da Freguesia de Fazendas de Almeirim

Uvas1Quando se trata da criação da localidade enquanto freguesia, Fazendas de Almeirim é uma verdadeira excepção, uma vez que foi a única das quatro existentes que não foi constituída com o Código Administrativo de Passos Manuel. Assim, Fazendas de Almeirim nasceu "aos dois dias do mês de Maio de mil novecentos e cinquenta e sete" pelo decreto-lei n°40812 e, por intermédio do então, Presidente de Câmara, o Sr. Guilherme Andrade Godinho. São José é o padroeiro da freguesia, aquele que ama os pobres e desamparados; a veneração dos fazendenses ao seu Santo Padroeiro faz-se sobretudo sentir por alturas da festa tradicional em sua honra que normalmente se realiza durante o mês de Julho.

A Barragem dos Gagos, oferecendo um espaço verdejante, puro e muito convidativo, pouco a pouco tem vindo a tornar-se um local de destino de todos aqueles que olham a natureza como refúgio. O antigo Paço de Paço dos Negros é o grande marco turístico e ponto de atracção nesta freguesia pertencente a Almeirim. Foi mandado construir por D. Manuel I, que se apaixonou pelos campos ribatejanos, e devido às magníficas coutadas e fertilidade das margens da Ribeira de Muge, teve como primeiro nome o Paço da Ribeira de Muge . Contudo e porque o rei ordenou a vinda permanente de escravos negros, depressa o Paço passou a ser conhecido como "Paço dos Negros". Edificado num espaço tipicamente originário, resta apenas deste atraente local do séc.: XVI, o pórtico e o próprio nome de Paço dos Negros, actualmente um lugar da freguesia. Sendo uma localidade tipicamente ribatejana e com uma população maioritariamente rural, uma das actividades de ocupação de alguns residentes é o Artesanato Local destacando-se a cestaria em vime. as mantas de retalho, as cobertas e almofadas e os trabalhos em cortiça.


JjuntaUma vez que dispõe de bons acessos e está situada a uns escassos 5Km da sede de concelho, a população de Fazendas de Almeirim tem lutado pelo seu desenvolvimento, tendo sido reconhecida por isso com a recente elevação da sua freguesia à condição de Vila. Talvez por reunir as características essenciais a uma vida com alguma qualidade, esta freguesia é depois da sede de concelho, a mais povoada, com cerca de sete mil habitantes.

Proporcionalmente ao crescimento do índice demográfico, as actividades económicas por si só, têm vindo a ramificar-se e a penetrar em diversas áreas. Desta forma, ao contrário do que se verifica em Benfica do Ribatejo e Raposa, o sector terciário, isto é, o sector de actividade económica que diz respeito aos serviços, reúne alguma percentagem de população activa, mesmo que bastante reduzida. Muitos postos de trabalho são também garantidos devido à existência de pequenas actividades industriais relacionadas com cerâmica, serração de madeiras e mármores, carpintaria, lagar de azeite, construção civil, malha e candeeiros. Para além deste tipo de actividades, é notório algum dinamismo comercial, mas, o verdadeiro suporte da economia Fazendense é o sector primário onde se destaca a produção de um vinho de excelente qualidade.

Tal como nas outras freguesias do concelho de Almeirim (exceptuando a própria cidade de Almeirim), o emprego existente não é muito qualificado e a taxa de analfabetismo apresenta valores pouco desejáveis para um final de século. Contudo face a um dinamismo demográfico crescente, é inevitável a aposta nos jovens e como tal a freguesia necessita de responder às necessidades da sua população. Assim, a freguesia de Fazendas de Almeirim tem ao serviço dos mais novos duas escolas Pré-Primárias e quatro escolas primárias; recentemente devido ao crescente número de população escolar entre muitos outros condicionalismos favoráveis, foi aprovada a construção de uma futura Escola do 2o e 3o Ciclos dotada de Pavilhão Gimnodesportivo, o que vai dinamizar em grande escala a juventude da freguesia. Para apoiar a camada etária mais idosa, a freguesia de Fazendas de Almeirim dispõe de um Centro de Dia prestando inclusive, apoio domiciliário a quem o solicitar. No âmbito da saúde, estão em funcionamento dois Postos Médicos, um em Fazendas e outro em Marianos, com a obrigatoriedade de servir toda a população residente.

Em termos políticos, esta freguesia não é uma excepção, pelo contrário, insere-se perfeitamente dentro da regra geral do concelho, pois desde o 25 de Abril de 1976 que Partido Socialista e Coligação Democrática Unitária lideram os comportamentos e principais fios condutores dos Fazendenses revelando uma clara Mjuntainclinação político - partidária para a Esquerda.
Procurando pouco a pouco proceder à construção do seu próprio poder local democrático, têm-se registado alguns melhoramentos ao nível do abastecimento de água, electrificação, arruamentos entre outros de âmbito cultural e desportivo. Face a um dinamismo que é próprio das gentes ribatejanas, Fazendas de Almeirim mereceu em Junho de 1991, a designação honrosa de VILA DE FAZENDAS DE ALMEIRIM, situação que é motivo de orgulho para todos aqueles que de alguma forma se encontram ligados à terra. Desde as primeiras eleições autárquicas livres até 1997, as principais figuras da Junta de Freguesia de Fazendas foram as seguintes: Avelino Leandro dos Santos (1976 e 1979), João Baptista da Silva (1982), Diamantino Máximo Monsanto (1985; falecendo um mês após a sua eleição, foi substituído por Francisco Sardinheiro), Francisco Sardinheiro (1989) e Maria Emília Botas Moreira (1993), seguindo-se Victor Figueiredo. Pelas suas mãos e esforço passaram os destinos do povo fazendense e actualmente, o principal responsável pela satisfação das necessidades dos seus habitantes é o Engº Manuel Bastos Martins eleito nas três últimas eleições Autárquicas.


Share

O Paço dos Negros da Ribeira de Muge

prtico paco dos negros“Foi precisamente junto a esta Ribeira de Muge, Muja ou Mugem, nome por que era conhecida que existiu uma residência real, mandada edificar por D. Manuel I a qual inicialmente teve o nome de Paço da Ribeira de Muge ou só Paço de Muge, passando, mais tarde à designação de Paço dos Negros da Ribeira de Muge.”

Estendendo-se por uma faixa de terreno, o lugar de Paço dos Negros pertence à freguesia de Fazendas de Almeirim, encontrando-se situado entre a sede da freguesia e a Ribeira de Muge, num lugar conhecido por Casal dos Frades.


Foi precisamente junto a esta Ribeira de Muge, Muja ou Mugem, nome por que era conhecida que existiu uma residência real, mandada edificar por D. Manuel I a qual inicialmente teve o nome de Paço da Ribeira de Muge ou só Paço de Muge, passando, mais tarde à designação de Paço dos Negros da Ribeira de Muge.


A inclusão da palavra “negros” deve-se ao facto do Rei Venturoso ter enviado para lá alguns escravos negros que passaram, então, a utilizar as dependências do Paço e por lá viveram durante muito tempo, chegando a constituir família e dando origem a sucessões. Esta designação foi adoptada nas cartas de nomeação de almoxarife e noutros documentos como se encontram com referências ao almoxarife Estêvão Peixoto “Foi almoxarife dos Paços da Ribeira de Muge a que chamarão dos Negros”.


O Paço não seria de grandes proporções mas não lhe faltavam comodidades para os que procuravam acolhimento nos momentos de lazer naquela zona aprazível de Almeirim.
Damião de Góis, humanista, diplomata e historiador que viveu entre 1502 e 1574, na sua Crónica de D. Manuel I faz referência a este Paço, quando diz “fez de novo os Paços da Ribeira de Muja, por ali haver muita caça, montaria que há naquela comarca, nos quais mandou pôr todo o serviço necessário de mesa, cozinha, camas, leitos e roupas de linho para os que consigo levava”.


Almeirim tornou-se conhecida e preferida pelos senhores da Corte que vindos de Lisboa, Tejo acima em bergantins, por aqui ficavam, não só pelo clima ameno que aqui se respirava, como também pela abundância de caça que aqui existia e fazia as delícias dos devotos de S. Huberto.
Edificado num lugar pitoresco, o Paço tinha acesso por um largo portão, aberto num muro, no cimo do qual se colocaram ameias e ornado com armas reais, de coroa aberta, ladeadas pela esfera armilar de D. Manuel I. Do que resta deste Paço há apenas a portada e seis merlões de estilo manuelino.


A ribeira corria abundantemente, dando ás margens um aspecto reconfortante e as suas águas faziam mover alguns moinhos, chegando a accionar oito engenhos no século XVIII só no limite da freguesia da Raposa à qual pertencia o Paço, antes da criação da freguesia de Fazendas de Almeirim que a esta passou a integrar-se depois de 1956.


Estes moinhos serviam para moer cereais, tradição que se manteve durante muitos anos como actividade bastante característica nesta zona do concelho.


Ainda hoje são conhecidos alguns lugares que tomaram os nomes de “Moinho do Meio”, “Moinho de Cima”, etc.


Dois destes moinhos foram doados por D. Sebastião ao Convento de Nossa Senhora da Serra de Almeirim e hipotecados por religiosos daquela instituição no ano de 1808.
Presentemente estes símbolos de uma época, em que assentava uma parte da economia do lugar, encontram-se desactivados e as águas da ribeira que ainda correm por meio de vegetação e detritos, já não dão vida a estes moinhos.


Tanto no Paço Real como na Capela que nele existia para os momentos de recolhimento e meditação encontravam-se belas colecções de azulejos que o tempo e o desinteresse dos homens, levou ao seu quase total desaparecimento.


No entanto, para que a memória não ficasse totalmente destruída foram postos a salvo exemplares que faziam parte do espólio do Museu da Casa do Povo de Almeirim.
Esses azulejos hispano-árabes que cobriam as paredes do Paço, utilizados na sua construção, encontram-se registados em carta de quitação do Rei D. Manuel sendo referenciados ao Paço da Ribeira de Muge (entre 1512-1514), bem como vários objectos, que para ai foram destinados às obras, como tábuas de pinho de Flandres, três milheiros de azulejos e o mobiliário do paço, como leitos de Flandres com seus paramentos, travesseiros e almofadas, coisas que figuravam numa lista de mercadorias permutadas com os estados de Flandres e Brabante.


Apenas o pórtico ainda marca um símbolo da História de Almeirim que continua a desafiar o tempo e a pedir que a sua imagem não se perca no esquecimento.

FONTE: Câmara Municipal de Almeirim


Share
Mais artigos...
Facebook Youtube Vimeo